Organizar o dinheiro da viagem não é a parte mais emocionante do planejamento, mas é uma das que mais traz tranquilidade depois que você desembarca.
Ninguém quer chegar a outro país e descobrir que o cartão não passou, que o celular ficou sem bateria ou que aquele pequeno restaurante aceita apenas dinheiro. Por isso, a melhor estratégia não é escolher somente entre cartão ou espécie, mas combinar diferentes formas de pagamento.
Hoje, Wise, Nomad e Revolut estão entre as principais opções para brasileiros que querem converter dinheiro antecipadamente, acompanhar os gastos pelo aplicativo e evitar o câmbio pouco vantajoso de muitos cartões de crédito tradicionais.
Mas qual delas vale mais a pena? A resposta depende do destino, das moedas que você utilizará e de quanto pretende converter.
Informações e tarifas consultadas em 21 de julho de 2026. Confira sempre os valores apresentados no aplicativo antes de concluir uma conversão.
O que levar financeiramente para uma viagem internacional?
Não existe uma divisão perfeita para todas as viagens, mas uma estratégia equilibrada pode ser:
- A maior parte do orçamento em uma conta internacional;
- Um segundo cartão, de outra instituição, como reserva;
- Uma pequena quantidade de dinheiro em espécie;
- Um cartão de crédito internacional para emergências, cauções e bloqueios de hotéis ou locadoras.
Como exemplo, você pode deixar aproximadamente 60% a 70% do orçamento no cartão principal, 20% a 30% em uma segunda conta e cerca de 5% a 10% em dinheiro físico. Essa proporção deve ser adaptada ao destino.
Em lugares onde os pagamentos digitais são muito comuns, será possível usar o cartão na maior parte do tempo. Já em regiões com feiras, pequenos restaurantes, transportes locais e comércios familiares, pode ser necessário aumentar a reserva em espécie.

Os caixas eletrônicos podem cobrar uma tarifa própria, independentemente da taxa aplicada pelo cartão.
A alíquota geral do IOF para remessas destinadas a gastos no exterior está em 3,5%. A regra foi restabelecida pelo STF em julho de 2025. Algumas empresas podem oferecer descontos, reembolsos ou isenções subsidiadas, mas isso não altera a alíquota legal do imposto. Entenda a decisão do STF.
Wise: boa para quem passará por diferentes países
A Wise é uma opção interessante para roteiros que envolvem várias moedas. É possível manter saldo em mais de 40 moedas e usar o cartão em mais de 160 países e territórios.
A plataforma utiliza a cotação média de mercado, também chamada de câmbio comercial, sem acrescentar uma margem escondida à cotação. Em vez disso, cobra uma tarifa de conversão informada antes da confirmação, atualmente a partir de 0,78%, variando conforme a moeda e o valor.
Isso facilita bastante a organização de viagens pela Europa. Você pode manter euros para Portugal, Itália e França, libras para o Reino Unido e francos para a Suíça dentro da mesma conta.
Se não houver saldo na moeda da compra, a Wise procura automaticamente o saldo disponível com o menor custo de conversão.
A primeira emissão do cartão físico é gratuita. Nos saques, há um saque mensal sem tarifa da Wise; depois disso, a cobrança indicada é de R$20 por retirada. O proprietário do caixa eletrônico ainda pode acrescentar sua própria tarifa. Consulte os valores na página oficial de preços da Wise.
Nomad: forte para viagens aos Estados Unidos
A Nomad começou muito ligada ao dólar e às viagens aos Estados Unidos, embora atualmente também permita manter saldo em euro e usar o cartão em mais de 180 países.
A conversão parte do câmbio comercial e inclui uma taxa que varia conforme o Nomad Pass:
- Nível 1: 2%;
- Nível 2: 1,9%;
- Nível 3: 1,7%;
- Nível 4: 1,4%;
- Nível 5: 1%.
Além dessa tarifa, a Conta Internacional destinada a gastos possui encargos de 3,5%.
Para quem viaja frequentemente ou mantém dinheiro na plataforma, os níveis mais altos podem trazer vantagens como redução da taxa, envio gratuito do cartão físico, acesso ao Nomad Lounge em Guarulhos e benefícios no Nomad Chip.
A emissão do cartão é gratuita, mas a entrega no Brasil custa US$20 para clientes do primeiro nível. A partir do nível 2 do Nomad Pass, a primeira entrega pode ser gratuita.
Nos Estados Unidos, os caixas da rede MoneyPass permitem saques sem tarifa da Nomad. Fora dessa rede, os dois primeiros saques mensais em dólar ou euro são gratuitos; depois, a tarifa é de US$5 ou €5 por operação. Veja a tabela oficial de tarifas da Nomad.
Revolut: diferentes moedas, planos e limites
A Revolut permite fazer compras em mais de 30 moedas e informa aceitação em mais de 130 países. A empresa oferece desde o plano Standard gratuito até opções pagas com limites maiores, seguros e outros benefícios.
No plano Standard, a conversão envolvendo reais não tem tarifa adicional até o limite de R$1.000 por mês. Ao ultrapassar esse valor, é cobrada uma tarifa de 1,4% na conversão de reais para moeda estrangeira.
Os planos pagos aumentam a cota mensal:
| Plano | Mensalidade | Conversão de reais sem tarifa adicional |
|---|---|---|
| Standard | Gratuito | Até R$1.000/mês |
| Plus | R$9,99 | Até R$2.000/mês |
| Premium | R$19,99 | Até R$4.000/mês |
| Metal | R$79,99 | Até R$10.000/mês |
| Ultra | R$249,99 | Até R$20.000/mês |
A Revolut anunciou cotas mensais com spread zero e isenção subsidiada de IOF, variáveis conforme o plano. Como a disponibilidade pode depender da categoria e da implantação para cada cliente, confira o custo efetivo mostrado no aplicativo antes de converter.
No plano Standard, os saques são gratuitos até R$1.600 ou cinco retiradas por mês, o que acontecer primeiro. Depois, a cobrança é de 2% do valor ou R$6, prevalecendo o maior. Consulte o comparativo oficial dos planos Revolut.
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O que é spread cambial?
Spread cambial é a diferença entre a cotação comercial da moeda e o valor realmente cobrado pela instituição.
Imagine que o dólar comercial esteja a R$5,00, mas o banco utilize R$5,25 para fazer a conversão. Essa diferença de R$0,25 representa um spread de aproximadamente 5%.
Na prática, quanto maior o spread, mais caro fica comprar a moeda estrangeira. Por isso, não basta olhar somente o IOF. É necessário comparar o valor final que sairá da sua conta e quanto de moeda estrangeira você receberá.
Algumas empresas dizem trabalhar com “spread zero”, mas podem cobrar uma tarifa de conversão separada. Isso não é necessariamente ruim, desde que o custo seja informado com transparência. O melhor comparativo sempre será simular o mesmo valor nas três plataformas, no mesmo horário.
O que é IOF?
IOF significa Imposto sobre Operações Financeiras. É um tributo federal cobrado em diferentes situações, incluindo operações de câmbio e compras internacionais.
Nas contas destinadas a gastos em viagens, a alíquota geral está em 3,5%. Normalmente, o imposto é pago quando os reais são convertidos para moeda estrangeira. Depois que o saldo já está em dólar, euro ou outra moeda, as compras feitas diretamente com esse saldo não geram uma nova cobrança do mesmo IOF.
Existem funcionalidades de investimento que podem utilizar outra alíquota, como 1,1%, mas elas não devem ser confundidas com o saldo comum de viagem. Investimentos possuem regras, custos e riscos próprios.
Por que levar o cartão físico?
Apple Pay, Google Pay e cartões virtuais são muito práticos, mas não devem ser a única forma de pagamento durante uma viagem.
O celular pode ficar sem bateria, ser perdido, apresentar falha no NFC ou simplesmente não funcionar em determinado terminal. Alguns estabelecimentos ainda exigem que o cartão seja inserido e a senha digitada.
O cartão físico também será necessário para fazer saques em caixas eletrônicos. Em hotéis, locadoras de veículos e determinados serviços, pode ser solicitado um cartão físico em nome do viajante.
Também é importante lembrar que muitos hotéis e locadoras exigem cartão de crédito para realizar uma pré-autorização ou bloquear uma caução. Wise, Nomad e o cartão global da Revolut funcionam principalmente como débito, por isso vale levar também um cartão de crédito internacional para essas situações.
Por que viajar com mais de um cartão?
Depender de um único cartão é uma economia que pode custar caro.
Uma compra pode ser recusada por segurança, a conta pode passar por uma verificação temporária, o cartão pode ser perdido ou o sistema da instituição pode ficar indisponível. Quando isso acontece longe de casa, ter uma segunda opção faz muita diferença.
O ideal é levar cartões de instituições diferentes e guardá-los em lugares separados. Se possível, tenha também bandeiras diferentes. Wise, Nomad e Revolut utilizam atualmente cartões Visa no Brasil, então um cartão Mastercard de outro banco pode aumentar a diversidade da sua reserva.
Antes de embarcar, confira se os aplicativos estão atualizados, memorize as senhas, ative as notificações e salve os contatos de suporte.
Minha experiência usando cartões internacionais
Nas viagens que já fiz por mais de 15 países, sempre levei pelo menos uma dessas três opções — Wise, Nomad ou Revolut — e nunca tive problemas para pagar minhas despesas.
Usei cartão em restaurantes, transportes, lojas, atrações e pequenos gastos do dia a dia. A praticidade de receber a notificação no celular e acompanhar o saldo em tempo real deixa a viagem muito mais tranquila.
Mas o segredo não foi confiar cegamente em apenas um aplicativo. Sempre procurei ter um cartão físico, uma segunda opção e um pouco de dinheiro guardado. É justamente esse plano B que permite viajar sem ficar preocupado com cada pagamento.
Ainda é necessário levar dinheiro em espécie?
Sim. Mesmo com a popularização dos pagamentos por aproximação, ainda existem lugares em que o dinheiro físico é necessário ou simplesmente mais conveniente.
Isso acontece principalmente em:
- Feiras e mercados de rua;
- Pequenos restaurantes;
- Táxis e transportes locais;
- Gorjetas;
- Banheiros públicos;
- Pequenas cidades e regiões afastadas;
- Estabelecimentos com valor mínimo para pagamento no cartão;
- Situações em que a internet ou a máquina estão indisponíveis.
Não é preciso carregar todo o orçamento em espécie. Uma pequena reserva na moeda local costuma ser suficiente para resolver imprevistos. Guarde o dinheiro em locais separados e evite andar com grandes valores na carteira.
Uma dica que pode evitar uma conversão cara
Ao pagar ou sacar no exterior, a maquininha pode perguntar se você prefere ser cobrado em reais ou na moeda local.
Escolha sempre a moeda local.
Se estiver na Europa, escolha euro; nos Estados Unidos, dólar; na Tailândia, baht. Quando você escolhe reais, o próprio estabelecimento ou operador do terminal faz a conversão por meio do chamado DCC, geralmente utilizando uma cotação menos vantajosa.
Minha recomendação é abrir pelo menos duas contas, simular a conversão do mesmo valor e comparar quanto você receberá no final. Não olhe apenas para frases como “spread zero” ou “câmbio comercial”: o que realmente importa é o custo total da operação.
Viajar com o dinheiro organizado não elimina todos os imprevistos, mas evita que um cartão recusado ou uma pequena despesa em espécie se transforme em um grande perrengue.





